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No Vale do Rio Doce, tapetes dão mais cor à vida de donas de casa

 Na pequena Periquito, no Vale do Rio Doce, o galo mal acaba de cantar e o amanhecer preguiçoso dá lugar ao ruído de máquinas  de costura. São dezenas delas, operadas por homens e mulheres, trabalhando na fabricação de tapetes artesanais, cuja matéria-prima são retalhos dispensados pelas fábricas dos grandes centros comerciais. A vitrine é a BR-381, de onde partem país afora, deixando a garantia de sobrevivência e esperança de desenvolvimento.

A fabricação dos tapetes começou há cerca de oito anos pelas mãos de uma costureira que não está mais na cidade, de pouco mais de sete mil habitantes. A dona de casa Tereza Selma Teixeira, de 57 anos, foi a primeira a levá-los para as margens da rodovia. Ela fez um varal e pendurou as peças que coloriram a barraca onde antes só vendia frutas, palmito e água de coco. Não demorou muito para largar os bicos com a enxada e se dedicar ao pequeno negócio.“Os tapetes chamam a atenção.

De longe dá para vê-los. Como são de boa qualidade, vários tamanhos e preços, dificilmente um viajante sai da barraca sem levar pelo menos uma peça”, conta. As vendas ajudam a dona de casa, divorciada, a criar quatro filhos. Além de revender os tapetes, Rogéria Oliveira, 31 anos, decidiu aprender a fabricá-los. Logo estava ensinando outras mulheres e a única máquina de costura doméstica deu lugar a duas industriais. Hoje, ela tem sete máquinas, oito funcionárias que se revezam, ganhando por produção, e o sonho de virar empresária.

Cada costureira recebe R$ 20 pelo tapete flor (o maior deles), ou pelo jogo de banheiro. A ‘fábrica’ funciona na sala, mas Rogéria prepara o terraço da casa para receber mais máquinas e ampliar o negócio. Antes, ela vendia salgado e chup-chup na rodovia. “Esses tapetes caíram do céu. Estão mudando nossas vidas”, disse. Com o dinheiro dos tapetes, ela comprou casa e cuida de dois filhos.

Na casa de Rita de Cássia Rocha, 39 anos, o negócio é gerenciado pelo marido. Flaviano da Silva, de 27 anos, deixou o emprego de serviços gerais na prefeitura para se dedicar à fabricação das peças. Toda a produção do casal é “exportada” para cidades da região e do Espírito Santo. A renda da família, que antes era de R$ 570 já passa de R$ 1.600. “Esse dinheiro eu ganho sozinho. Se juntar a produção da Rita, dá muito mais”, observa. O casal tem cinco filhos.