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Nem tudo é minério e aço

 

Jornal Estado de Minas - http://goo.gl/AI6Gg8

As tradicionais commodities minerais e metálicas que fazem de Minas Gerais o maior produtor de minérios e aço do país mantêm o seu reinado na economia em dezenas de municípios, mas já não estão sozinhas. Na mesma terra rica em bens minerais ou que se especializou na industrialização dessas matérias-primas, surgem iniciativas promissoras de diversificação da economia, com a fabricação de itens valorizados no comércio brasileiro e no exterior, a exemplo de mel, cachaça e artesanato, além da valorização do turismo. Parte delas já contribui para aumentar a diversidade da pauta de exportações do estado.

Minas embarcou 2.961 produtos ao exterior no ano passado, representando um ganho, embora pequeno, de 0,3% frente a 2011, quando a receita total das vendas externas caiu 19,2% na mesma a base de comparação, influenciada pelos integrantes com maior peso – ferro, produtos siderúrgicos, café e automóveis –, de acordo com levantamento da Central Exportaminas, órgão ligado à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico.

Na região de Timóteo e Ipatinga, que batizaram o Vale do Aço mineiro, ao abrigarem as usinas da Usiminas e Aperam, essta última sucessora da antiga Acesita, a produção de mel tipo exportação tomou corpo depois de se profissionalizar. O polo produtor começou a ser estimulado pela Melbras Mel do Brasil, empresa brasileira exportadora, que fez seus primeiros embarques em outubro de 2010, e hoje conta com 150 fornecedores, abastecendo clientes nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Inglaterra, Espanha e Bélgica. Segundo Gustavo Martins Delfim, sócio-diretor da Melbras, o grande desafio foi o de criar padrões necessários para atender as exigências técnicas desse mercado.

“Temos trabalhado no aumento do número de fornecedores. Concorremos com países como a China, que aumenta o seu consumo e tem menos mel para exportar, e com a produção argentina, que está sendo substituída por culturas como grãos”, afirma Gustavo Delfim. Cerca de 70% da produção conta com certificação orgânica. Da unidade produtiva da Melbras instalada em Timóteo, saíram neste ano 800 toneladas destinadas a exportação. 

Em busca de novos mercados, como os apicultores, os artesãos da pedra-sabão de Santa Rita de Ouro Preto, distrito da cidade histórica que puxa o ranking dos maiores exportadores de minério de ferro do Brasil, encontraram na internet, há dois anos, um poderoso aliado para tornar a atividade mais conhecida dentro e fora do estado. Da extração da pedra ao artesanato e à produção de talco, estima-se que sejam mantidos 25 mil empregos, incluindo o trabalho nas vizinhas Mariana e Congonhas.

Experiente na arte de moldar a pedra-sabão, Clemente Fernandes da Silva Neto aposta em vendas maiores no ano que vem, sob o impulso dos eventos relacionados à Copa do Mundo. “Falta uma estratégia de divulgação do nosso trabalho. Muita gente ainda se surpreende ao encontrar referências da nossa produção pela internet e vem a Ouro Preto interessada no artesanato”, afirma Clemente Neto. A empresa dele emprega 12 pessoas para transformar a pedra-sabão em esculturas, porta-joias, cachepôs, panelas e utilitários. As exportações ainda são incipientes para os Estados Unidos e o Canadá, mas têm potencial. Distante 30 quilômetros do Centro de Ouro Preto, Santa Rita fez do artesanato parte de sua história.

Arte que 
desponta 

O artesanato mineiro é um dos fatores de diversificação da economia, apesar da participação ainda tímida na receita das vendas externas do estado. Nos últimos 12 meses até outubro passado, os produtos artesanais exportados pelo Brasil tiveram faturamento recorde de US$ 38 milhões, de acordo com a Associação Brasileira de Exportação de Artesanato (Abexa), com base em levantamento informado à instituição pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Algo em torno de metade desse valor foi apurado pelos artesãos de Minas, incluindo peças de decoração feitas de pedra-sabão, objetos de fibra de café e bananeira, cerâmica, bijuterias em tecidos e material reciclado e panelas de barro.