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COMERCIALIZAÇÃO DE ARTESANATO NA COPA DO MUNDO DA FIFA 2014: UM BALANÇO

Por Agda Sardinha

A Matéria do MÊS da Newsletter de Maio do museu A CASA buscou mapear as expectativas para a comercialização de artesanato durante a Copa do Mundo da FIFA 2014. Após o encerramento do megaevento, foi possível traçar um breve balanço das atividades comerciais relacionadas ao setor artesanal durante os meses de junho e julho. O país contou com dois grandes projetos voltados para essa área: o Brasil Original, desenvolvido pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae, e o Vitrines Culturais, desenvolvido pela Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República – SMPE.
O projeto Brasil Original tem como objetivo “divulgar o Brasil como um país que produz um artesanato sofisticado, de alta qualidade e com design diferenciado” durante o período de realização de grandes eventos no país, tais como a Copa das Confederações FIFA em 2013, a Copa do Mundo da FIFA em 2014 e as Olimpíadas de 2016. A ideia é aproveitar a superexposição do Brasil e o público que irá acessar esses eventos para promover os produtos artesanais. No caso da Copa de 2014, as lojas do Brasil Original foram montadas em 10 cidades-sede e as peças expostas nesses showrooms foram selecionadas a partir de um sistema de curadoria formado por especialistas do setor artesanal, incluindo representantes do Sebrae, designers, decoradores, entre outros profissionais.
Segundo Denise Foroni, coordenadora geral do Brasil Original, “a comercialização de produtos em 2014 superou os resultados de 2013 (Copa das Confederações). Estávamos esperando essa melhora, posto que a copa do mundo mobilizou mais pessoas e turistas. A experiência da Copa das Confederações foi fundamental para atingirmos o sucesso que alcançamos em 2014, visto que as lojas de 2013 foram um “teste” para vermos se estávamos no caminho certo.Algumas coisas que não deram tão certo em 2013 puderam ser corrigidas para as lojas Brasil Original feitas no período da Copa do Mundo 2014, o que possibilitou melhores resultados”.
De acordo com os dados cedidos pelo Sebrae, nas lojas do Brasil Original montadas durante a Copa das Confederações de 2013 foram comercializados cerca de 22 mil itens, produzindo um faturamento bruto de, aproximadamente, 714 mil reais. Durante a Copa do Mundo da FIFA, as dez lojas do projeto receberam cerca de 700 mil visitantes, gerando uma receita de 2,1 milhões de reais (valor quase 3 vezes maior ao registrado em 2013), obtidos com a comercialização de 60 mil itens artesanais.
Em São Paulo, a loja foi montada no Shopping Light e administrada pelo Projeto Terra. Segundo Ricardo Pedroso, gestor responsável pelo espaço, “durante o período em que ficou aberta, de 11/06 a 13/07, a loja recebeu cerca de 19.600 visitantes, dos quais 1.047 fizeram compras em um volume de 2.627 peças”. Para ele, apesar das vendas terem ficado abaixo das expectativas, “no fim, achamos a experiência bastante interessante, e estamos iniciando estudos, no Projeto Terra, para replicar o formato em um portal de internet ou mesmo numa loja permanente”.
As exposições do projeto Vitrines Culturais foram realizadas entre 12 de junho e 13 de julho de 2014 em 7 cidades-sede da Copa, Manaus - AM, Recife - PE, Salvador - BA, Belo Horizonte - MG, Rio de Janeiro - RJ, São Paulo – SP e Porto Alegre - RS. Essa iniciativa teve o objetivo de divulgar, promover e ampliar a participação e a visibilidade de artesãos brasileiros cadastrados no Sistema de Informação Cadastrais do Artesanato Brasileiro – SICAB, coordenado pelo Programa do Artesanato Brasileiro – PAB, no período da Copa. Nesse caso, foi lançado um edital de abrangência nacional que continha a definição dos critérios de seleção e avaliação para a escolha das peças. As lojas do Vitrines Culturais, chamadas de Espaço Cultural, foram montadas nas FIFA Fan Fest e em espaços culturais das cidades-sede.
Segundo Luciene Cruz, assessora de imprensa da SMPE, o PAB ainda não realizou o balanço das vendas nacionais do Vitrines Cultuais. Esses dados ainda estão sendo elaborados em conjunto com o Ministério da Cultura e serão divulgados em breve. Todavia, no dia 13 de julho, o museu A CASA visitou a loja Espaço Cultural do FIFA Fan Fest no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, e conversou com o gerente Estevam Cavenattoen, que relatou: “já foram vendidas 500 das 1700 peças expostas”. E acrescentou: “a maioria dos visitantes eram turistas nacionais e estrangeiros. A minha impressão é que 70% das pessoas que entraram no espaço compraram algo”.
Para Adélia Borges, curadora e escritora independente, autora de livros sobre design e artesanato, faltou curadoria à loja do Espaço Cultural. “O processo de escolha foi por inscrição. A justificativa deve ter sido a de propiciar um acesso democrático aos artesãos, no entanto muitos deles não têm condições suficientes para se inscreverem nesse tipo de edital. O resultado é que a amostragem ali reunida não representou o Brasil nem por critérios geográficos, nem por diversidade de materiais e técnicas e muito menos por qualidade. O estrangeiro que entrasse ali não tinha uma ideia nem sequer aproximada do que é o universo artesanal brasileiro. Lamentável a oportunidade perdida!”.
Com relação à venda de artesanatos, Tânia Machado, do Instituto Centro de Capacitação e Apoio ao Empreendedor (Centro Cape), observou: “o que vendeu na Copa para turistas estrangeiros? Praticamente nada. Quando compravam, eram sempre lembrancinhas de baixo valor, tamanho e peso. Mas eles ficaram admirados, e isso foi muito bom, pois, não só o artesão, mas o brasileiro deu um banho de brasilidade, receptividade, amizade, parceria. O depoimento dos turistas foi de que, se e quando puderem, querem voltar aqui para uma visita”