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Artesanato e cachaça mineira fazem sucesso na Copa do Mundo

Marta Vieira

Marinella Castro

A cachaça mineira de alambique venceu concorrentes durante a Copa 2014 e só perdeu para a cerveja entre as bebidas mais vendidas nos bares e restaurantes (Euler Júnior/EM/DA Press)  
A cachaça mineira de alambique venceu concorrentes durante a Copa 2014 e só perdeu para a cerveja entre as bebidas mais vendidas nos bares e restaurantes

Fora do campo, o artesanato, alimentos e bebidas típicos, a exemplo dos doces e da cachaça de Minas Gerais, que os próprios brasileiros conhecem menos do que poderiam, fizeram a sua goleada particular durante a Copa do Mundo, com surpreendente volume de vendas e uma campanha de divulgação jamais vista pelos artesãos, fabricantes e comerciantes do ramo. Os resultados desses negócios, que conquistaram o gosto de turistas nas cidades-sede do Mundial, começaram a ser levantados ontem, mas será difícil chegar a números precisos, diante da escassez de indicadores da economia relativos ao desempenho de atividades artesanais e com pouco peso em receita na produção de bens e serviços medida pelo Produto Interno Bruto (PIB) do país.
O balanço parcial do comércio de artigos produzidos à mão em várias partes do Brasil, inclusive em Minas, indicou receita de quase R$ 2 milhões nos primeiros 30 dias de funcionamento, até 30 de junho, das 10 edições do showroom batizado de Brasil Original, montado pelo Sebrae durante o torneio. A julgar pelos valores já apurados, contados os 15 dias restantes de vendas nas mesmas proporções, a iniciativa deverá resultar num faturamento ao redor de R$ 2,5 milhões, graças a mais de 630 mil visitantes. Em BH, a prévia das vendas foi de R$ 221,4 mil, cifra que deverá passar de R$ 270 mil na apuração global do período de exposição das peças, vistas por 62.192 pessoas. O tíquete médio de compras foi de R$ 84,27.
A expectativa dos artesãos foi superada, segundo Tânia Machado, presidente da Associação Brasileira de Exportação de Artesanato e do Instituto Centro Cape, braço do Mãos de Minas, maior central de cooperativas de artesãos de Minas. “O maior ganho é a valorização do trabalho artesanal para quem não estava acostumado a ver esses produtos. As pessoas se encantaram”, afirma. Em BH, a loja Brasil Original foi montada no Pátio Savassi.
Os brasileiros responderam por cerca de 90% da comercialização de peças artesanais mineiras, com destaque para as campeãs em vendas: flores feitas em fuxico, crochê e tecidos de algodão produzidas pelas artesãs do grupo Gente Nossa, de Piedade dos Gerais, distante 100 quilômetros da capital mineira. “O resultado é melhor do que esperávamos e vai nos ajudar a exportar”, comemora Luciani Luiza Ribeiro de Amorim, artesã e coordenadora do grupo.
 Redes coloridas, toalhas de mesa e caminhos feitos de renda também atraíram os turistas sul-americanos, alemães, italianos... O passeio dos visitantes pelo Mercado Central de BH fez as vendas avançarem 50% na loja Belô Nordeste. “As redes mais vendidas foram as de R$ 170. Os turistas escolhiam as mais caras e coloridas, que são também as mais bonitas”, explicou a vendedora Dora Sena. Colombianos, alemães e americanos foram os mais dispostos a gastar. “Os asiáticos olharam muito, mas compraram pouco.” Visibilidade

 

“Eles ficaram encantados com a beleza do nosso artesanato”, comentou a vendedora Mércia Teresinha Carneiro, sobre os visitantes franceses, australianos, canadenses, holandeses e sul-americanos, que passaram pelo Centro de Artesanato Mineiro, no Palácio das Artes. “Gostaram de tudo e compraram peças pequenas para levar de lembrança, como as fachadas de igrejas, ímãs e miniaturas das bonecas do Vale do Jequitinhonha.” Para Mércia com o fluxo de turistas 70% maior durante a Copa, o artesanato mineiro ganhou visibilidade mundo afora.

 

Paulo diz que iguarias mineiras caíram no gosto dos sul-americanos  
Paulo diz que iguarias mineiras caíram no gosto dos sul-americanos

Malas cheias de cachaça e doces

 

A cachaça mineira de alambique venceu concorrentes durante a Copa 2014 e só perdeu para a cerveja entre as bebidas mais vendidas nos bares e restaurantes, de acordo com o Sindicato das Indústrias de Cervejas e Bebidas em Geral no Estado de Minas Gerais (Sindibebidas-MG). O Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) apoiou os produtores promovendo duas degustações para divulgar a qualidade e a diversidade do produto no Centro Aberto de Mídia, montado no Maracanã, no Rio de Janeiro, que recebeu mais de 2,6 mil jornalistas de 66 países. Em Minas, o doce de leite e a goiabada-cascão também encantaram os turistas.
As vendas de junho são fortes candidatas a entrar para o livro dos recordes do Laticínios Tupiguá, comércio especializado em cachaças, queijos e doces no Mercado Central. Ao longo dos jogos do Mundial, os negócios do pequeno empório puxados pelos turistas estrangeiros cresceram 60%. De volta para casa, europeus, sul-americanos e até asiáticos rechearam as malas com produtos fabricados em Minas. A loja, que oferece mais de 300 rótulos da cachaça artesanal, vendeu no período cerca de 1,2 mil garrafas da bebida.
“A campeã de vendas foi a cachaça Batista, branquinha, de R$ 35 a garrafa. Vendemos também para ingleses e americanas a Vitorina Diamond, de Fortuna de Minas. Cada garrafa custa R$ 255”, explica Ana Gabriela Cocolo, dona do Laticínios Tupiguá. Segundo ela, não só a cachaça, mas o queijo especial da Serra da Mantiqueira vai cruzar o oceano para ser consumido na Malásia. “Os turistas provaram o queijo no hotel e voltaram para comprar mais”, comentou.
Além de cachaça e roupa feita à mão, os doces típicos do estado como a goiabada cascão e o famoso doce de leite de Viçosa foram acomodados na mala, principalmente dos sul-americanos. “Os doces que mais fizeram sucesso custavam entre R$ 4,50 e R$ 9,50”, observou Paulo Roberto de Almeida, há 23 anos a frente do Queijo Tradição de Minas. Os produtos frescos foram também testados pelos turistas em degustações no próprio Mercado. (MC e MV)