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Compradores estrangeiros avaliam artesanato mineiro para exportação

Fonte: Estado de Minas - http://goo.gl/BMxM47

O fim de semana foi movimentado nas oficinas de artesanato em Tiradentes, Prados, Bichinho, São João del-Rei, Santa Cruz de Minas, Resende Costa e Lagoa Dourada, região conhecida como Trilha dos Inconfidentes, na porção Central de Minas Gerais. Compradores internacionais visitaram artesãos para conhecer produtos típicos, numa iniciativa de estimular as exportações do setor. Representantes comerciais da França, Estados Unidos e Suíça fecham, hoje, a programação em Belo Horizonte, por meio de uma rodada de negócios com 48 artesãos. A expectativa é de que eles comprem US$ 450 mil. Abrir novos mercados no exterior será um desafio duro para os artesãos este ano, da mesma forma que está sendo para a indústria, a despeito da valorização do dólar frente ao real.

O Banco Central baixou as projeções das vendas externas brasileiras em US$ 5 bilhões neste ano, agora com a previsão de uma receita de US$ 240 bilhões. A média diária de embarques de janeiro à terceira semana de setembro (US$ 924,2 milhões) caiu 1,5% ante o resultado do mesmo período do ano passado. Os encontros com artesãos mineiros integram as ações do projeto comprador Brasil Handcraft Discover, promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), em parceria com o Sebrae e o Centro Cape, braço da central Mãos de Minas, que tem como objetivo promover as vendas no mercado internacional.

A exportações de artesanato do Brasil têm aumentado: em 2012, chegaram a US$ 20 milhões, enquanto de janeiro a outubro de 2013 o faturamento com as vendas externas no setor alcançou US$ 38 milhões. De acordo com a Apex-Brasil, da receita de 2012, US$ 11 milhões foram efetivados por meio do Projeto Comprador e, em 2013, a cifra foi de US$ 15 milhões.Márcia Gomide, gestora de projetos, gerente executiva de Competitividade e Inovação da Apex-Brasil, explica que a ideia do projeto é solucionar problemas e incentivar as negociações entre artesãos e compradores internacionais. “Os produtos brasileiros são de excelente qualidade e estão conquistando o mercado externo”, diz.

O artesão Marlon Teixeira de Carvalho, dono de uma das oficinas visitadas pelos compradores internacionais na sexta-feira, afirma que a expectativa de alcançar o mercado externo é grande e ao mesmo tempo impõe medo. “Estamos com dificuldade de contratar mão de obra e vendemos tudo que conseguimos produzir no mês. Com o interesse dos compradores estrangeiros vamos ter que produzir ainda mais e não sei se vamos dar conta”, admite. Marlon vende cerca de 500 peças em madeira por mês e conta com sete funcionários na oficina. Ainda de acordo com o artesão, outra dificuldade para ganhar o mercado externo é dar continuidade às negociações. “Já vendi peças para Israel, Estados Unidos, França e outros países, mas os clientes compram uma ou duas vezes e não dão continuidade”, lamenta.

A artesã Carmem Maria Teixeira de Paula produz em grande escala artesanato em tecido. Para dar conta da produção, ela emprega 10 funcionários com carteira assinada e outros 50 são terceirizados. Se for fechada alguma exportação, pretende abrir vagas. “Comecei a produção sozinha, depois de um tempo entraram meu marido e dois filhos. Hoje, vendemos para todo o Brasil, vivemos do artesanato e investimos cada vez mais na produção. Ter compradores internacionais aqui é uma ótima oportunidade de crescer esse mercado”, completa.

Produção diversificada

A região que os compradores conheceram tem uma produção artesanal diversificada, marcada pela identidade regional e a qualidade do design e das matérias-primas, que despertam a atenção dos estrangeiros. Os clientes do exterior querem trabalhos exclusivos. Enquanto estiveram em contato com os artesãos, falaram sobre as tendências do mercado. A analista técnica do Sebrae Minas Sabrina Campos Albuquerque afirma que a melhor forma de fomentar o mercado é levar potenciais compradores até os artesãos para que eles conheçam as oficinas e acompanhem de perto todo o processo de produção. “Eles querem itens diferenciados que podem agregar valor ao ponto de venda deles”, ressalta. Ainda de acordo com Sabrina, o Sebrae Minas ajuda o artesão, na formação de preços, tornando o produto mais competitivo.

Angelis Groos, compradora que representa a empresa Brazilian Room Collection, é uma das que esteve na região para conhecer os produtos e está levando amostras para seus clientes. A ideia é exportar produtos que tenham conceito global e não aqueles com características étnicas do Brasil. “Gosto dos quadros, artesanato em pedra sabão, em tecidos e cerâmica. São produtos bem aceitos nos Estados Unidos”, diz Angelis. Michel Ferragu, da Baufer Latina, da França, comenta que a maior dificuldade para manter uma negociação com os artesãos é preço. “É preciso definir preços que compensem a negociação”, completa.

A compradora Cristina Graber, da Tucanexport Gmbh, da Suíça, pretende fechar negócios na rodada de hoje em Belo Horizonte. “De um tempo para cá, o artesanato começou a ser valorizado no mercado interno promovendo a disparada dos preços. Com isso, a maioria dos artesãos prefere vender seus produtos no mercado interno, do que adaptá-los para exportar”, lamenta Cristina. Outro fator que influencia nas negociações é a falta de uma comunicação mais efetiva entre as partes interessadas com informações sobre pesos, medidas e características dos produtos.