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Pequenos espaços, grande retorno

Feiras livres e mercados de variedades representam um bom investimento, desde que o pretenso empreendedor tenha tino para um nicho de negócios em constante mutação e muita disposição em lidar com o público. Belo Horizonte conta hoje com três mercados (Central, Novo e Distrital do Cruzeiro), 60 feiras livres em todas as nove regionais da cidade e vários programas ligados ao abastecimento e nutrição que se tornam empreendimentos para pequenos produtores e comerciantes.

De importância fundamental nas pequenas cidades, onde a produção agrícola do meio rural é comercializada nos fins de semana, as feiras livres e mercados ganham outras características nos municípios de médio e grande portes. Locais próprios de relação direta entre produtores, comerciantes e clientes, eles servem também para outros atrativos, como o turismo, e até mesmo de vitrine para negócios a serem comercializados em grande escala por lojas, redes comerciais e supermercados.

Em São Paulo, por exemplo, as feiras livres continuam pulsantes, vivas e tornaram-se referências turísticas, incentivadas pelo próprio município. Em Belo Horizonte, na primeira metade do século 20, as feiras se expandiam por todos os bairros da cidade, apoiadas pelos mercados municipais das praças da Estação e da Rodoviária. Hoje, as 60 feiras funcionam de terça-feira a domingo em bairros de todas as nove regiões administrativas da capital. Entretanto, estão cada vez mais tímidas, com o número de expositores cada vez mais reduzido.

De acordo com o gerente de apoio ao sistema de abastecimento da Secretaria Adjunta de Segurança Alimentar e Nutricional da Prefeitura de Belo Horizonte, Alberto Lauro Batista da Silva, o espaço urbano dificulta a criação e a expansão de feiras. “O trânsito intenso, o crescimento da cidade, com prédios e garagens, tornam cada vez mais difícil interditar espaços em vias públicas para esses eventos.” Para Alberto, há também desinteresse da nova geração em ser feirante e as antigas concessões, que passam de pai para filho, já não despertam tanto interesse. De acordo com o gestor municipal, houve licitação recente de todos os pontos de feira e haverá mais em vagas remanescentes, que não foram ocupadas ou por desistência dos feirantes. 

Mas alguns deles não compartilham essa mesma opinião. São famílias que trabalham no ramo há mais de três décadas. Humberto Abreu, que pertence à terceira geração de uma família de feirantes, acredita que não há interesse do município em manter esse tipo de comércio. “Nossa família trabalha no ramo há 50 anos, meu pai assumiu os negócios há 35, e hoje está nas minhas mãos e na de meus irmãos. Entretanto, a prefeitura adotou um sistema de licitação que descaracteriza completamente a cultura da feira livre. Elas primam pela relação entre cliente e o comerciante. São fregueses antigos de várias gerações em ambos os lados. Hoje, atendemos netos de clientes dos meus avós. Com a licitação, por R$ 1 a mais perde-se um ponto para quem ofereceu melhor valor e rompe-se toda a relação entre os lados”, lamenta Humberto.

DIVULGAÇÃO Esse sistema obrigou alguns feirantes a abrir lojas ou empórios para sustentar seus negócios. As barracas itinerantes, que costumam circular em até seis pontos na cidade por semana, tornaram-se vitrines de lojas fixas, como o caso dos frios Litoral Frutos do Mar, da família de Humberto Abreu. As feiras itinerantes se tornaram meio de divulgação das três lojas da família, em bairros nobres como Buritis, Cruzeiro e Belvedere. Na barraca, além da venda dos produtos expostos, os feirantes aceitam encomendas e divulgam telefones de tele-entrega.

Na mesma direção dos familiares de Humberto, o jovem Naim Sicio Schirmer assume com entusiasmo os negócios da família. Há 30 anos donos da marca Biscoitos Bom Chefe, com biscoitos, doces e salgados caseiros, alguns de fabricação própria, eles reconhecem que não se trata de negócio tão vantajoso quanto há três décadas. Porém, não o consideram um comércio “ultrapassado” e garantem que a freguesia continua fiel. “Não só os mais antigos, mas as novas gerações frequentam as feiras. O que falta é estímulo”, afirma Naim. Como forma de manter os negócios, os Schirmer contituíram lojas em pontos fixos e usam as barracas itinerantes para divulgá-las.

Com apenas 19 anos, Matheus Gabriel Oliveira dos Santos viu no Mercado Central a oportunidade de se dar bem nos negócios. A sorte de encontrar um ponto num dos locais mais disputados da Região Centro-Sul abriu as portas para um negócio inédito por lá: o conserto e manutenção de celulares. Com 50 dias de funcionamento da RM Tecnológica Assistência Técnica Especializada, ele esbanja otimismo. “Trabalhava há um ano em uma empresa no Mercado Central e percebi que faltava uma loja como esta. Quando um lojista resolveu se mudar, decidi apostar no ponto e estou vendo um futuro promissor.”