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Uma ode aos povos indíegenas

Belo Horizonte hospeda, a partir de sexta-feira (14), cerca de 130 obras, originárias de cinco países da América do Sul. Mas o que torna a mostra "Mira!" imperdível é o resgate particular que promove da tradição e das técnicas dos povos indígenas. Os 53 artistas que participam da exposição integram 27 etnias localizadas no Brasil, Peru, Colômbia, Equador e Bolívia. Os nomes foram selecionados com minúcia ao longo de dois anos pela curadoria. Do Brasil, 16 artistas indígenas (do Rio Grande do Sul, Bahia, Acre, Roraima, Manaus e Mato Grosso) integram a iniciativa.

Os trabalhos poderão ser vistos na fachada do Espaço TIM UFMG do Conhecimento (Praça da Liberdade) e no Centro Cultural UFMG que, além de receber pinturas, desenhos, cerâmicas, esculturas e fotografias, também será palco de mostras de vídeo (com sessões comentadas por cineastas indígenas e não-indígenas) e seminários. Essas atividades específicas acontecem a partir do sábado e se estendem só até o próximo dia 20.

"Para BH, que tem, entre suas principais vias, ruas com nomes de tribos indígenas (Guaranis, Tupinambás, Tupis...), essa mostra é de grande importância. Ela proporciona, aos que circulam pelo centro da cidade, experiências poéticas e artísticas desses povos que fazem parte diretamente do nosso dia a dia", diz a diretora do Centro Cultural e idealizadora da mostra, Maria Inês de Almeida. O projeto, que em 2011, recebeu inscrição de 300 trabalhos e contou com o apoio direto do Itamaraty e da embaixada do Brasil nos quatro países. Após realizar o levantamento dos artistas ameríndios, a curadoria catalogou cada uma das obras, e contou com dois representantes em cada país.

Fidelidade às raízes

Dos 53 participantes, 20 estarão na capital mineira participando do seminário e acompanhando as mostras de vídeo. Vale frisar que, apesar de muitos já não viverem nas tribos de origem, todos ainda mantêm ligações com suas comunidades.

"As obras são o retrato desse laço invisível. Apesar de serem, em sua maioria, artistas jovens, eles guardam suas raízes e não se desvencilham da cultura criada por seus antepassados – ainda que a arte demande que deixem suas tribos".

Mas "Mira!" revelou bem mais. Resultado de uma busca pelo diálogo intercultural, a exposição mostra que as múltiplas linguagens foram capazes de promover o intercâmbio entre as novas experiências artísticas dos povos indígenas da América do Sul. Um feito inédito.

Exposição "Mira! Artes Visuais Contemporâneas dos Povos Indígenas" no Centro Cultural UFMG (av. Santos Dumont, 174, Centro). Segunda a sexta das 10 às 21h. Sábado e domingo das 10 às 18h. Até 11/8.

Programe-se no fim de semana

Sábado (15)


.Seminário

16 horas – Apresentação do projeto "MAKHU" (Movimento dos artistas Huni Ku).

.Mostra de vídeos

18 horas – "NixiPae - O espírito da floresta" (2012, 43min., Brasil). Com Amilton Mattos. Sessão comentada por Ibã Huni Ku e Amilton Mattos.

19h30 – "Shuku Shukuwe, a vida é para sempre" (2012, 43min., Brasil).
Com Agostinho Manduca Mateus Ika Muru. Sessão comentada por Ibã HuniKu, Carolina Canguçu e Ana Carvalho.


Domingo (16)

.Seminário

16 horas – Roda de conversa com os artistas participantes da mostra.

.Mostra de vídeos

18h30 – "A travessia de Chumpi" (2009, 47min., Peru). Com Fernando Valdívia.

19h30 – "Nhandê va’e kue meme’i - Os seres da mata e sua vida como pessoas" (2010, 27min., Brasil). Com Rafael Devos.

19h30 – "Bicicletas de Nhanderu" (2011, 48min., Brasil). Com Patrícia Ferreira. Sessão comentada por Mariano Aguirre e Vherá Poty.