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Gente de Fibra da Serra da Mantiqueira faz artesanato para o Mundo

 

Via: Vida Buena

Localizada ao Sul de Minas, na Serra da Mantiqueira, a 467 Km de Belo Horizonte, o município de Maria da Fé foi palco da luta árdua de moradores que, diante da crise da monocultura da batata que abalou a cidade em 1994, encontraram no artesanato em fibra de bananeira e papelão um meio de sobrevivência. Assim surgiu o projeto Gente de Fibra, idealizado pelo artista plástico Domingos Tótora, que difundiu sua arte promovendo inclusão social e  o resgate da cidadania. Conhecido internacionalmente, o projeto é hoje, como o próprio nome sugere, prova de que se pode transformar a realidade através do investimento em cultura, bastando para isso atitude, união, determinação e perseverança.

Tudo começou quando os moradores de Maria da Fé, ociosos com a queda da monocultura da batata, passaram a se reunir, na tentativa de enfrentar a crise econômica. O principal desafio naquele momento era aliar as carências da cidade às potencialidades dos marienses, com objetivo de garantir o sustento das famílias. Por outro lado, inexistia um trabalho com identidade própria, que representasse a região. Havia apenas pessoas isoladas que confeccionavam  artigos comuns em crochê, tricô, fuxico, bordado, entre outros tipos de artesanato. 

Projeto ganha prêmio “Melhores Práticas em Gestão Local”Foi então que, ao participar de uma dessas reuniões, o artista plástico Domingos Tótora, nascido e criado em Maria da Fé, sugeriu à comunidade que se fizesse o enfrentamento da pobreza a partir da produção e comercialização de peças artesanais com fibra de bananeira, material abundante no município, e reciclagem de papelão, comumente descartado em frente às portas dos supermercados. O artista apostava que o artesanato diferenciado faria sucesso entre os turistas, uma vez que a cidade, pertencente ao Circuito Turístico Caminhos do Sul de Minas, recebe visitantes durante todo o ano. Outro aspecto considerado foi a questão da sustentabilidade ambiental.  

A partir da adesão de moradores locais, o artista plástico elaborou o projeto Gente de Fibra, que consistia em oferecer oficinas de artesanato para a comunidade, por meio das quais o artista plástico ensinou, inicialmente, cinco artesãos  a produzirem peças a partir da fibra de bananeira e papelão.  

Os integrantes da oficina passaram a vender seus trabalhos e, à medida que a comercialização foi aumentando, tornou-se necessária a formação de uma entidade representativa, que culminou na criação da Cooperativa Mariense de Artesanato (COMARTE), em 26 de agosto de 1999, com 20 cooperados.

Cooperados reunem produtos feitos através do projeto Gente de Fibra: originalidade que ganhou o mercado internacional

Variedade de produtos - A princípio, a cooperativa funcionava em espaço cedido em uma das salas de um galpão do Lar São Vicente de Paula. As mulheres recolhiam papelões no comércio local, principalmente nos supermercados, e seus pais e maridos extraíam a fibra da bananeira. “Hoje uma empresa de laticínios fornece todo o papelão de que precisamos, uma pessoa fica por conta da extração das fibras de bananeira e os cooperados alugam quatro salas do galpão”, comenta orgulhoso o presidente da COMARTE, Luiz Antônio Braga, ex-padeiro, que faz parte da cooperativa desde a sua criação.  

Ainda em 1999, os cooperados foram convidados para participar da Feira Nacional do Artesanato e, desde então, os produtos do projeto Gente de Fibra tornaram-se conhecidos, atraindo a atenção de artesãos da própria cidade, culminando na criação de outras oficinas e na adesão de novos cooperados. A COMARTE mantém em suas dependências uma loja onde são vendidas as peças do Gente de Fibra.  

Atualmente, a cooperativa oferece diversos produtos, entre elementos utilitários e decorativos, como anjos, bonecas, jogos americanos e bolsas feitos com fibra de bananeira, bandejas, almofadas de fuxico, arte em cipó, bordados, embalagens de juta, peças em palha, e outros artigos. A pintura dos objetos com o barrado da Igreja Matriz de Maria da Fé tornou-se a identidade do artesanato local.