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Artesãs mineiras são escolhidas para apresentar peças na sede da ONU, em NY

 

Fonte: Estado de Minas

Artesãs de mãos cheias, Gercina Maria de Oliveira, Juracy Borges da Silva e Maria José Gomes da Silva não escondem a satisfação de terem sido selecionadas para expor seus trabalhos, de 2 a 13 de setembro, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (Estados Unidos), onde ocorrerá a exposição Mulher artesã brasileira. As duas primeiras já confirmaram presença na importante mostra. De um lado, a exposição tem o objetivo de divulgar a cultura nacional; de outro, reconhece a relevância econômica de um setor cujos profissionais começam a dar maior valor à capacitação e que cresce a passos largos.

Para ter ideia, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) destacam que as exportações do segmento subiram de US$ 10 mil, em 2002, para US$ 6 milhões em 2012. Parte desse aumento se deve aos diversos projetos de capacitação de homens e mulheres que ganham a vida transformando barro, madeira, argila, pedra e outras matérias-primas em arranjos, utensílios domésticos etc. A explosão de associações e cooperativas que estimulam a venda em grupo, abrindo novos mercados, também tem parcela significativa no resultado apurado pelo ministério.

Dona Gercina, por exemplo, constatou aumento de 200% nos negócios depois que ela e amigas fundaram, há cinco anos, a Associação das Artesãs de Sagarana – o nome homenageia a comunidade rural em que elas moram, no distrito de Arinos, importante cidade do Vale do Urucuia, no Noroeste de Minas. “Conseguimos, unidos, que todo o produto fosse armazenado na central, que comercializa a mercadoria. Antes só vendíamos a quem vinha até aqui. Nosso mercado foi ampliado. Agora, entregamos encomendas até no Museu do Folclore, no Rio de Janeiro. Estou otimista com a viagem aos Estados Unidos.”

Gercina, fiandeira que aprendeu o ofício ainda pequena, já colocou na mala os produtos que vai expor na mostra: “Uma colcha (R$ 150), um par de cortinas (R$ 180) e uma manta para sofá (R$ 140). Todas coloridas e feitas com algodão. Eu mesma planto o algodão, colho e o transformo em fios. Faço tudo. Sou descendente de índios caetés. Aprendi as tarefas com minha avó Laura Maria de Jesus e com minha mãe, Ana Maria. Infelizmente, elas já faleceram”. A avó e a mãe da fiandeira teriam orgulho em ver Gercina na ONU. Seus 12 filhos têm. Orgulho semelhante ao dos parentes e amigos de Juracy, outra artesã que já aceitou o convite para embarcar aos Estados Unidos.

Ela é uma dos 29 integrantes da Associação de Artesãos Sempre-Vivas, fundada em 2001, em Galheiros, comunidade rural de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha. A associação ensinou aos membros a importância de programas sustentáveis no uso das sempre-vivas, uma espécie de flor nativa daquela região, como matérias-primas para arranjos. A entidade também organizou melhor as vendas dos integrantes.

GESTÃO “Quanto mais bem organizados são os artesãos, melhor eles atendem ao mercado. É a questão da gestão dos negócios. Se há uma boa gestão em associação, em sua unidade produtiva, eles conseguem ter oportunidades para acessar o mercado. É preciso fazer uma leitura (da demanda). É o comportamento empreendedor desses profissionais”, avaliou a analista do Sebrae Minas Simone Silva de Aguiar, acrescentando que 15 artesãs foram selecionadas para a mostra. Minas é o estado com maior número de convidadas (três).

A terceira selecionada para a mostra é dona Maria José, moradora de Campo do Buriti, na área rural de Turmalina, no Vale do Jequitinhonha. Maria José, mais conhecida como Zezinha, transforma barro em bonecas. “Aprendi a fazê-las com minha mãe. Aqui em casa, meu marido, Ulisses, e minhas filhas, Aline e Cláudia, também trabalham no ramo”, conta a mulher. Suas peças custam de R$ 350 a R$ 1,5 mil. A exposição é organizada pela Associação Brasileira de Exportação de Artesanato (Abexa) e conta com o patrocínio do Sebrae Nacional.

Matéria - http://goo.gl/3HdjnY