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Piedade dos Gerais, cores e formas

Fonte: Estado de Minas - 09/09/13

Na Região Central de Minas Gerais, uma bucólica cidade chama atenção pela grande produção de artesanato. Por onde se passa em Piedade dos Gerais, é possível encontrar bordados, esculturas e muitas flores de pano. É uma visita por uma paleta de cores incrível, sempre utilizando material reaproveitado. Um trabalho que pode ser visto logo na entrada da cidade é feito com cabaças, na loja Coco de Cuia, onde o artesão Raimundo Costa monta peças de decoração que encantam pelos detalhes e algumas pelo tom irreverente. “Gosto de brincar com as cabaças, faço coisas básicas que saem em maior quantidade, como réplicas de chaleiras e panelas. Mas gosto mesmo é de ficar inventando moda, como as cabeças de cabaça”.

 Para a dentista Isaura Gomes Reis, que descobriu as cabaças há pouco tempo, o artesanato com esse material é uma mistura, pois ao mesmo tempo que tem a rusticidade da matéria-prima, tem a delicadeza dos acabamentos. “Já me tornei uma fã de carteirinha, na decoração da cozinha já tenho mais de 10 itens”, conta Isaura. Em Andrade, comunidade de Piedade dos Gerais, duas irmãs têm feito muito sucesso com seu artesanato. Lúcia e Luciana Rosalina chamam a atenção pelo trabalho que desenvolvem com a taboa, planta muito encontrada em brejos.

Elas utilizam a fibra para fazer o revestimento trançado e usam como base outro material reciclado: pneus. As irmãs atribuem esse trabalho a um dom, já que desenvolveram sozinhas a técnica de trabalhar com a taboa. “É nossa fonte de renda, mas principalmente é nosso prazer, pois as peças ficam lindas e nosso trabalho ainda coopera com a natureza”, conta Luciana.

Reaproveitamento Segundo a designer de interiores Clarice Oliveira Carnolli, mesclar itens com o conceito de reciclagem é algo não só interessante do ponto de vista ambiental, mas tem se tornado uma forte tendência. Isso porque as peças são feitas artesanalmente e costumam ter acabamento de alta qualidade. “Ter um artigo assim em casa, feito com tanto cuidado, é algo que deve ser valorizado, pois chega a ser quase uma exclusividade”, afirma a designer.

Outro produto artesanal que tem gerado renda para a cidade são as flores de pano, feitas através de um projeto da Casa de Cultura de Piedade dos Gerais, onde são ministradas oficinas para ensinar a jovens e senhoras o ofício. Quem está à frente da iniciativa é Luciani Luiza Ribeiro de Amorim, que conta orgulhosa as grandes vendas que fazem para o exterior. “Temos um público local e de passagem, que descobre o que fazemos e fica encantado com as flores. Mas nosso maior mercado é internacional, já fomos até para feiras fora do país expor o trabalho”.

Grande parte da matéria-prima utilizada é reciclada, tanto de malharias que doam os retalhos quanto de possibilidades que os próprios artesãos foram descobrindo, como é o caso das flores feitas com tecidos de sombrinhas inutilizadas. “Nossa preocupação é gerar recurso para essas pessoas, mas também ensinar a importância de aproveitar materiais que estariam sendo jogados no lixo”, ressalta a orientadora Luciani.