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Roda da vida

Fonte: Jornal Estado de Minas - http://goo.gl/7gLyx

“Tenho que pôr tudo aí dentro de minha arte, bom e mau, mau e bom, porque tem de tudo.” A frase do escultor Geraldo Teles de Oliveira, o G.T.O., resume bem sua obsessão em buscar formas para representar uma relação particular com a arte. Nascido em Itapecerica, Centro-Oeste de Minas, em 1913, ele se notabilizou com uma produção visual singular, gestada no ateliê em Divinópolis, terra que o adotou desde criança e onde morreu em 1990, deixando legado até hoje intrigante e disputado, peça a peça, pelo mercado. No ano em que se lembra seu centenário, o Centro de Arte Popular – Cemig preparou uma exposição que pretende, em vários aspectos, rever a produção do artista. 


A mostra, que será aberta ao público amanhã, com curadoria do artista José Alberto Nemer, é como um retrato da obra de G.T.O.. Contará com 30 trabalhos, esculpidos em madeira, com dimensões entre 30cm e 260cm, além de uma curiosidade: uma peça rara executada em pedra-sabão. A criação do artista, como bem explica o curador, é espécie de “síntese da miscigenação brasileira, na qual o artista retrata seus antepassados indígenas, misturados a escravos, senhores, reis, soldados e outras figuras. As composições têm, quase sempre, uma simetria ritualística, onde os personagens se embaralham numa ordem de absoluta harmonia. São totens, rodas, capelas, pequenas cenas oníricas e enigmáticas”.

O resultado das esculturas, que tanto impressionam colecionadores, galeristas, críticos e o público, veio de um processo intuitivo. Autodidata, G.T.O. iniciou-se na arte com uma história parecida aos pares de ofício. Certo dia, aos 55 anos, sonhou em construir uma grande igreja. Daí em diante, iniciou a busca pela representação na madeira das referências vindas de sonhos, como um legado divino e uma missão. A trajetória é um pouco mais conturbada. Aos 28 anos, saiu de Divinópolis para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como moldador, funileiro e fundidor. Ao retornar para a cidade mineira, em 1951, conseguiu emprego como vigia noturno no Hospital São José, onde foi internado para tratamento de saúde. Um pároco, então, encomendou-lhe a que seria a primeira escultura, uma imagem para a Igreja do Bom Jesus. 

Não demorou para aparecer a forma que o tornou conhecido. O que fazia era recorrer à figura humana – imagem de si mesmo – esquemática e repetida, inserida dentro de símbolos geométricos do círculo ou do quadrado, para conceber esculturas em forma de totens ou mandalas. Vez por outra, subvertia o conceito, lembrando-se da imagem da igreja de seu sonho seminal, para conceber capelas com a mesma iconografia. Também recorria às formas das correntes como metáforas de elos e ainda às figuras humanas. Frequentemente, concebia figuras cuja mão espalmada tocava a outra figura, simbolizando algo como o ciclo da vida. A relação com o divino também o inspirava. “Este aqui é Jesus Cristo trazendo o povo nas barbas”, dizia apontando para iconografia recorrente.

GTO 100 Anos

Exposição em homenagem ao centenário do artista Geraldo Teles de Oliveira (G.T.O.). Abertura amanhã, às 10h, no Centro de Arte Popular – Cemig (Rua Gonçalves Dias, 1.608, Lourdes). A mostra, com entrada gratuita, pode ser visitada até 29 de dezembro, às terças, quartas e sextas, das 10h às 19h. Quintas, das 12h às 21h. Sábados e domingos, das 12h às 19h. Informações: (31) 3222-3231.