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Exportação de produtos brasileiros feitos à mão chega a US$ 38 milhões

 

Matéria vinculada no caderno de economia - Jornal Estado de Minas - http://goo.gl/N2c5ti

O esforço de planejamento, o profissionalismo e a criatividade dos artesãos brasileiros foram reconhecidos no mercado internacional neste ano, a despeito das dificuldades que têm marcado as exportações do Brasil diante da crise na Europa e nos Estados Unidos. Os produtos artesanais embarcados ao exterior apuraram US$ 38 milhões de outubro de 2012 ao mesmo mês de 2013, uma receita recorde, segundo a Associação Brasileira de Exportação de Artesanato (Abexa), com base em levantamento informado à instituição pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

As oficinas espalhadas por todo o país começaram a investir firmemente nas exportações há cerca de cinco anos, com um cuidadoso trabalho de organização da produção, controle da qualidade e formação de preços, que agora dá resultados, lembra a presidente da Abexa, Tânia Machado. Dos modestos US$ 10 mil apurados em 2003, quando os artesãos estavam ainda engatinhado num mercado novo, eles alcançaram a cifra de US$ 20 milhões em 2012. O resultado das exportações no período acumulado desde outubro do ano passado foi turbinado pela demanda de grandes redes varejistas que passaram a valorizar o artesanato brasileiro, a exemplo do magazine norte-americano Macy’s, das gigantes TJMaxx, dona das marcas Home Goods, Home Sense e Winners, e da espanhola El Corte Inglés.

Minas Gerais responde por cerca de metade das vendas, graças à procura dos clientes no exterior pelas peças de decoração feitas em pedra-sabão, objetos produzidos em fibra de café e bananeira, cerâmica, bijuterias em tecidos e material reciclado e as famosas panelas de barro. O ranking dos 12 países que mais compraram o artesanato brasileiro é liderado pela França, com 29,2% do total, seguida pelo Reino Unido, com 26%, Estados Unidos, 22% e a Alemanha, 5,5%. “O artesão aprendeu a trabalhar e hoje tem a certificação da produção artesanal que tem sido muito importante para atender as exigências do mercado internacional”, afirma Tânia Machado, que é também presidente do Instituto Centro Cape, braço do Mãos de Minas, maior central de cooperativas de artesãos de Minas.

 

Foco na Copa

A tendência das vendas é a de manter expansão, aproveitando a exposição que o Brasil terá no ano que vem com os jogos da Copa do Mundo. Este será, inclusive, o tema da 24ª Feira Nacional de Artesanato, marcada para 3 a 8 de dezembro no Expominas, em Belo Horizonte. O evento vai reunir 7 mil artesãos e pelo menos 15 compradores estrangeiros para conhecer ao redor de 50 mil itens artesanais. A edição do ano passado gerou vendas de R$ 94 milhões, sem contar as encomendas feitas no local.

Com a experiência recente de exportações feita à Europa, aos Estados Unidos e à Austrália, o produtor de castanhas de baru, licores e geleia artesanais Antônio Carlos de Carvalho Marinnho se prepara para investir na divulgação dos produtos durante o mundial de futebol. “Acredito que será uma grande oportunidade para itens que são típicos do Brasil, têm alta qualidade e sabores diferentes”, afirma.

A falta de crédito para as pequenas empresas exportadoras no país é o maior problema na briga pelo mercado externo, na avaliação de Marinnho. As estatísticas sobre o comércio do artesanato são frágeis, uma vez que esses produtos não estão classificados como os demais itens de peso nas exportações do país. A Apex informou que está trabalhando num panorama dos resultados dos projetos que apoia no Brasil. 


(*em Março deste ano, Tânia Machado deixou a presidência da Associação Brasileira de Exportação de Artesanato (Abexa), agora presidida por Tiago Dalvi)