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FNA Inicia processo para certificação de artesanato indígena

A organizadora da Feira Nacional de Artesanato (FNA), Tânia Machado, juntamente com a representação das Organizações Não-Governamentais SOS Mata Atlântica, Word World Wide Found (WWF), Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá) e Associação Mineira de Defesa do Ambiente- AMDA se reuniram com representantes das 33 (trinta e três) etnias presentes no espaço Indígena da Feira. Na ocasião iniciaram o processo de discussão, tendo com objetivo a criação de um grupo de trabalho para qualificação e certificação do artesanato indígena.

Por tradição, desde o ano 2000, a Feira Nacional de Artesanato tem reservado um espaço para que os indígenas de todo o Brasil estejam presentes no evento como convidados especiais. O espaço, além de servir como vitrine e ponto de venda para comercializar cestarias, colares, pulseiras, brincos, anéis, entre outros produtos típicos das comunidades indígenas, é também utilizado para a divulgação da cultura indígena.

De acordo com Tânia Machado, os trabalhos desenvolvidos pelas ONG’s ambientalistas e pelas lideranças indígenas, são ambos, essenciais para a garantia da sustentabilidade socioambiental e econômica do desenvolvimento do artesanato produzido com matérias primas nativas. O Centro CAPE e a organização da feira apoiará e fará parte do grupo de trabalho iniciado durante a feira. O Centro CAPE será o catalizador deste processo e terá a função de ampliar a participação para outros setores envolvidos com o tema, articular ações e formular parâmetros que visem à qualificação e certificação do artesanato indígena. “Sempre quisemos exportar o artesanato indígena, mas como os produtos não são certificados, o mercado internacional não absorve. Os produtos que se utilizam de matérias orgânicas, tem obrigatoriamente que serem certificados e isso agrega valor ao artesanato. É preciso que haja responsabilidade social e ambiental” ressalta Tânia.

O diretor do SOS Mata Atlântica, Mário Montovani, participou da reunião e trouxe um protesto assinado por diversas Ong’s que denunciam a devastação provocada pelos traficantes de madeira, que atuam no sul da Bahia em áreas de conservação ambiental e se utilizam indevidamente do nome dos indígenas para driblar a lei. “Sou diretor da SOS Mata Atlântica e membro do Conselho da Central Mãos de Minas e já somos parceiros da Feira na iniciativa inédita no Brasil, no projeto de neutralização de carbono gerado no evento. E mais uma vez, vamos unir esforços para iniciar este diálogo, para qualificar e certificar o artesanato indígena que vem da natureza, feito com o barro, a madeira, as sementes, os minerais. Nossa luta é pela preservação da cultura, pela geração de renda e pela responsabilidade e cuidado com o meio ambiente”, disse.

            O representante dos indígenas, Cacique Baiara, Pataxó da Aldeia Jerutucunã, de Açucenas/MG foi escolhido como representante das 33 etnias presentes na FNA. “No início ficamos um pouco confusos com a posição das ONG’s, mas agora estamos juntos para defender nosso artesanato. Queremos ter nossa responsabilidade, somos protetores da natureza e também queremos proteger nossa arte, não queremos que saiam por aí fazendo cópia e falando que foi índio quem fez.

Para a próxima feira, os indígenas pretendem trazer mais peças de cestaria, cerâmica, arco e flecha e diminuir os produtos feito com madeira, falou o Cacique. A 25ª FNA já tem data marcada e acontece na primeira semana de 2014 com o tema “Festas Populares Brasileiras”.