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Mulher Artesã Brasileira

A arte de quinze artesãs será objeto da exposição “Mulher Artesã Brasileira” em setembro de 2013, na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. O projeto é uma iniciativa da Associação Brasileira de Exposição de Artesanato (ABEXA), com patrocínio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e apoio do Instituto Centro Cape, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX – Brasil) e da Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência.

A exposição “Mulher Artesã Brasileira”  visa promover a imagem do artesanato no exterior, por meio de diversas atividades sócio culturais, incluindo uma mostra de fotografia e de objetos, a produção de um documentário, uma conferência e a publicação de um livro de arte.

O objetivo é desvendar a alma da mulher que alcança na produção artesanal, não somente uma forma de subsistência, mas também uma motivação constante de transformação da realidade social de sua comunidade.

Uma expedição de jornalistas e documentaristas está percorrendo o Brasil para retratar essas mulheres que se valem de toda a sua força psíquica e física no esforço de dominar os mais diversos materiais encontrados no meio ambiente e que resultam em obras de arte genuínas.

Entre as selecionadas figuram Raimunda Nonata Silva Pinheiro Kaxinawa (Acre),  Wendy Sherry Oliveira Barros (Alagoas), Maria Marli das Chagas Oliveira (Amazonas) Maria Miguel de Oliveira (Ceará), Berenicia Correa Nascimento (Espírito Santo), Maria José Gomes da Silva,  Juracy Borges da Silva e Gercina Maria de Oliveira (Minas Gerais), Neulione Alves Gomes e Lucileicka da Silva David (Mato Grosso), Maria das Dores Ramos Silva (Paraíba), Ivonete de Moura Santana (Pernambuco), Raimunda Teixeira da  Silva (Piauí), Monica Carvalho (Rio de Janeiro) e Elsa Pozzobon Noal (Rio Grande do Sul). 

Primeiras artesãs entrevistadas 

As viagens tiveram  início na cidade do Rio de Janeiro com a artesã e designer Monica Carvalho. Aos 55 anos, a carioca formada em Letras, foi professora, intérprete e tradutora, antes de iniciar na atividade do artesanato.

Monica Carvalho utiliza sobras da natureza como matéria prima. Sementes, frutos, palhas, fibras e troncos  são cuidadosamente retirados das florestas de extrativismo. Seu maior desafio foi justamente encontrar fornecedores que tivessem a mesma preocupação com a sustentabilidade.

O resultado  de tanto esforço é uma arte orgânica, ecológica e contemporânea. Entre as obras, painéis, esculturas e bijouterias que já ganharam o mundo através da marca inglesa, Eskandar.

“Eu acho que com a globalização, esses “pequenos fazeres” tomaram um sentido muito maior. São o relato e o registro de comunidades, tribos, pessoas que de alguma forma preservam sua história e vivência. Nos dias em que tudo é sempre produzido em série, um produto feito à mão é muito mais valorizado. E esses fazeres vão cada vez ter um espaço maior no mundo”, afirma Monica Carvalho.

Em Vitória, no Espírito Santo a expedição entrevistou Berenicia Correa Nascimento, 55 anos, presidente da Associação das Paneleiras de Goiabeiras, onde nasceu e se criou. Desde a infância, aprendeu a moldar panelas de barro para seu sustento, como as outras mulheres da família.

O processo da produção começa na retirada controlada da argila que confere às panelas vários atributos, como por exemplo, o aquecimento rápido e a resistência à altas temperaturas.

Depois de coletado, o barro passa por um processo para a retirada de impurezas. Nesse momento, as mãos habilidosas de Berenice começam a modelar. As panelas ainda passam por várias etapas de acabamento como a retirada do excesso de barro do fundo da panela, a secagem, o polimento, a queima a céu aberto e o tingimento com o tanino.

Os primeiros registros de produção das panelas capixabas remontam aos grupos nativos das Américas. Foram os povos indígenas Tupi-guarani e Una, que iniciaram a produção há mais de 300 anos.

Atualmente a panela de barro é o utensílio onde se cozinham os pratos tradicionais da gastronomia regional, a Moqueca e a Torta Capixaba. “As panelas de barro representam a nossa cultura. São o nosso cartão postal, nossa fonte de renda. Mais de 5 mil pessoas sobrevivem da produção”, comenta Berenicia.

As próximas visitas na região Sudeste acontecem em Minas Gerais, nas cidades de Galheiros e Turmalina, no Vale do Jequitinhonha; e Arinos, ao Norte do estado. Na sequência, a expedição segue viagem pelas regiões Nordeste, Norte, Centro Oeste e Sul do Brasil.

Sobre a Abexa:

Abexa é uma associação de entidades ou empresas que trabalham junto ao artesão brasileiro. Seu principal objetivo é o incremento das exportações do artesanato brasileiro através da sua promoção no mercado externo.

Website: www.abexa.org.br

Foto Mônica Carvalho por Jayme de Carvalho Jr./ABEXA