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Bagaço de cana vira artesanato no Triângulo Mineiro

À primeira vista, um punhado de bagaço de cana, subproduto da indústria alcooleira e açucareira, tem destino certo: o lixo ou a queima em caldeiras para gerar vapor e, daí, energia. O olhar apurado de 16 artesãs de Conceição das Alagoas, no Triângulo Mineiro, transforma o resíduo em matéria-prima de verdadeiras obras de arte. Elas integram a Associação de Artesãs Garimpo das Artes. O nome homenageia os que buscavam diamantes em terras de Conceição das Alagoas e acabaram fundando a cidade.

 "São mulheres que vão desde as mais simples até as mais instruídas, mas que se unem com o mesmo nível de trabalho e com igual paixão pelo que fazem", diz a presidente do grupo, a pedagoga aposentada e funcionária pública Deídes das Graças Tomain. O local no qual funciona a associação, criada há oito anos, foi cedido pela Prefeitura Municipal, que ainda auxilia em gastos com transporte, participação em feiras e encomendas de brindes.

 

Apoio 

 O Programa Sebrae de Artesanato apoia as artesãs da Garimpo das Artes. Em 2011, a entidade deu uma repaginada no portfólio e lançou nova linha de produtos. O programa reúne os módulos Comportamental, Associativismo e Cooperativismo, Gestão e Design, que levam quase um ano para serem assimilados.

 Seguindo a filosofia do "menos é mais", as artesãs criaram quatro peças conceituais -; tijolo, banco, balde e bacia -; e homenagearam os tempos de antigamente. No varejo, o tijolo sai a R$ 12; a bacia, a R$ 80; o banco, a R$ 120; e o balde, a R$ 90. Ainda assim, o principal atrativo continua por conta do bagaço da cana, agora bem mais aparente do que nas coleções anteriores

 

Resgate cultural

 

Juntas essas mulheres aliaram o resgate cultural da região a uma forma sustentável de gerar renda por meio do acréscimo do bagaço da cana à massa do papel machê, técnica milenar que utiliza papel picado. O Banco do Brasil, alguns escritórios e as gráficas da cidade são parceiros e fornecem o papel. 

 

Para produzir cerca de 320 peças por mês utilizam-se 12 sacas do material. A Usina Caeté, localizada nas proximidades, é um dos grandes clientes das artesãs. Além de contribuir com o bagaço, todo fim de ano a empresa solicita a confecção de peças para presentear funcionários, fornecedores e clientes. São cerca de mil produtos encomendados, o que garante o "13º salário" das trabalhadoras.

 

Durante o ano, a associação realiza vendas para 95 clientes cadastrados, dos quais 45 são regulares. Os mercados mais fortes estão nas capitais de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul. A fama das artesãs já transcendeu as fronteiras nacionais, pois as peças chegam às mãos de compradores dos Estados Unidos, Alemanha, Suíça, Itália, Espanha e Índia.